19 de novembro de 2010
Não entre! Cão bravo!
6 de novembro de 2010
Racismo, xenofobia ou o quê?
Sobre o assunto, umas tuitadas de @willgomes:
- "Especialistas ouvidos pela Folha..." divergem sobre se os tweets de ódio a nordestinos são racismo. Razão: nordestino não é uma raça
- Mas não é porque raças não existem q o racismo também não existe. Foi o racismo quem inventou as raças . Cronologicamente, 1º veio o racismo
- Ué... e raça existe? A Folha não sabe, mas faz tempor que a genética provou que não existem raças de humanos. Quem tem raça é cachorro.
- O racismo é o ódio dirigido a outros grupos com base em traços físicos e origem. Para fins de discriminação, os traços/origem viraram raças.
5 de novembro de 2010
Combo severino
É interessante que, na cobertura internacional, o “caso Mayara Petruso” seja tratado enquanto uma questão de racismo. Como eu estava conversando com meu amigo Rodrigo Barreto, o rótulo “nordestino” vai bem mais além. É uma espécie de combo dos preconceitos: de uma vez só, vai contra pobres, imigrantes e quem quer que não seja “branco” (as aspas é porque estamos no Brasil).
Enquanto isso, a Folha deu capa pro assunto, apenas depois de alguma chancela oficial: a OAB-PE pedir pro MPF investigar. E com a esquisitíssima manchete “Ministério Público investiga se aluna foi racista na web”. Mais uma vez, apenas a questão do racismo. Honestamente, fiquei sem saber se a manchete se referia mesmo a esse caso.
3 de novembro de 2010
O boi de piranha e o tragicômico jornalismo da Folha
O escritório Paixoto e Cury Advogados, de São Paulo, demitiu a estagiária e estudante de direito Mayara Petruso.O que me incomoda nessa história não é que a responsabilizem legalmente pelo que ela fez. Muito pelo contrário. Acho justo e necessário. O que me incomoda é que, ao personalizarem o ocorrido, aquelas manifestações racistas deixem de ser tomadas como um grave problema social – este é um discurso bastante difundido – e passem a ser vistas como culpa de uma única pessoa.
A assssoria do escritório se nega a dizer quando e o motivo pelo qual a jovem foi demitida.
2 de novembro de 2010
Mainardi na SaferNet
Atualizações sobre #nordeste ou #nordestisto
1 de novembro de 2010
Crônica apressada de almoço em São Paulo
Estamos entre o bairro da Aclimação e o da Liberdade. Sento pra almoçar numa mesa com seis lugares, vazia. Começo a comer seguindo a primeira dieta metódica que tento na vida: 1/4 do prato proteína, outro 1/4 carboidrato, e a metade restante, salada.
Chegam dois homens e uma mulher. Um mais gordinho e de óculos, que obviamente não segue minha dieta (nem minhas inclinações políticas, logo se verá), outro magro, todo penteado. A moça, loira, aquela cara de boa funcionária. Todos nos seus quarenta, devem trabalhar em alguma empresa ou hospital por aqui.
- Vou colocar na mesa do Zé Roberto um mapa da eleição. Da Bahia pra cima, Dilma. Esse é o Brasil que dá certo, ahá -diz o que não preenche a metade do prato com leguminosas.
Lula: culpado!
Ruy Fabiano é que está certo. Vejam só no que Lula transformou a sociedade brasileira, que antes de 2003 era um mar de compreensão, tolerância e respeito:
@jrbarbassaRubão!
Meu voto é seu. RT: @LuizaFearless Ainda vou me candidatar a presidente. E a primeira coisa que farei é jogar uma bomba no Nordeste. ADEUS!
@romariuk_Romário Dias
30 de maio de 2010
Nordestinos: “aquela coisa de preconceito”
Não conheço direito o programa Legendários, com Marcos Mion, mas achei boa essa reportagem sobre a discriminação contra nordestinos no Rio e em São Paulo.
O cara que reage “Mas é aquela coisa de preconceito, né?” é o que adiante cede frente ao argumento “Pra mim é uma questão de higiene”. Precisa-se mais ou menos desse tanto pra que a maquiagem do politicamente correto desvaneça.
O discurso preconceituoso parece envolver raciocínios assim: foi por mérito próprio que o sudeste se desenvolveu mais do que o nordeste, logo temos mais direito a colher os frutos do desenvolvimento, e os imigrantes não deixam de ser algo como ladrões, ou ao menos invejosos.
Suponhamos que fosse possível nesse caso considerar o crescimento econômico sem a mão de obra barata do imigrante. Que dizer do restante? Obviamente, tem uma premissa escondida aí, que vale a pena analisar (não briga com o pseudo-filósofo aqui, Cerqueira), a de uma espécie de direito natural à herança do esforço dos antepassados. O sujeito muitas vezes não contribuiu com coisa nenhuma pra esse desenvolvimento de que se orgulha, e se acha muito com razão de usufruir mais de suas benesses porque… nasceu no lugar certo, o que - teses sobre vidas passadas à parte – não costuma depender de empenho individual.
Nas “discussões” sobre as cotas, a medida do desempenho feita pelas provas traveste-se de milimétrica auferição de mérito, não importa de que condições cada candidato partiu. O apego à meritocracia, contudo, relativiza-se tão logo esteja em jogo qualquer perda de privilégios.
Algo disso também pode ser visto no futebol. É claro, os salários são fora da realidade, há todo tipo de maracutaia, etc. Mas em muito da crítica feita às ferraris e mansões dos jogadores, não está também um torcer de nariz por sujeitos “sem classe” estarem por cima? E, digam o que disserem do marketing e dos medalhões, o motivo pra os jogadores brasileiros serem em sua maioria “de origem pobre” é que a seleção, nesse caso, é meritocrática (teses dunguísticas à parte, alguém talvez diria).
Não se trata de incoerência, mas de outra forma de coerência. Os posicionamentos não precisam combinar-se entre si; importa é não haver contradição entre os interesses e as opiniões, cada uma tomada individualmente.