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1 de junho de 2011

Os limites do “espaço pessoal” — ao menos num avião comercial

Uma amiga me mandou, hoje pela manhã, uma notícia, digamos, inusitada. Dois passageiros de um vôo que saía de Dulles International Airport – próximo a Washington, DC – rumo a Gana, trocaram tapas à bordo. Acho que a notícia chamou atenção pela confusão que se armou: o piloto decidiu retornar ao aeroporto, o que fez escoltado por dois caças F-16 da força aérea norte-americana, depois de despejar uma parte considerável dos seus mais de 60.000 litros de combustível. O preço do combustível, por aqui por volta de R$ 1,80 o litro – caríssimo para os padrões locais – e ameaças aéreas dão bem a dimensão de algumas das maiores preocupações dos EUA. De minha parte, o que mais me estarreceu foi o motivo da confusão: “O que a iniciou? Um assento reclinável que invadiu o ‘espaço pessoal’ de outro passageiro” [em tradução mais do que livre].

10 de dezembro de 2010

É triste, mas devo uma a Ann Coulter

Há exatamente uma semana, me deparei – não sei como – com o blogue da Cleycianne. Nele dei de cara com um post intitulado “Como descobrir se seu namorado é homossexual passivo!”, no qual a blogueira comenta “as coisas que acontecem na internet com uma visão cristã”. Um dos conselhos que dá para as “mulheres angustiadas” em saber sobre as preferências sexuais dos namorados é o seguinte:

- Sabe[r] todas as coreografias da Lady Gaga, Britney Spears e Sapatonna.

19 de novembro de 2010

Não entre! Cão bravo!

É verdade que eu sou um cara obsessivo. Às vezes com uma coisa, às vezes com outra, não importa, tenho sempre algo que simplesmente não me sai da cabeça. Tentei fazer, nessas pouco mais de duas semanas desde o fim das eleições, uma espécie de retiro: política, só a que envolvia diretamente ao meu trabalho, injustificadamente atrasado. Mas devo confessar que não consegui. Via, em cada leitura que fazia para a tese, passagens que me remetiam a esse momento histórico que tanto o Brasil quanto os EUA estão vivendo: um avanço pesado de um pensamento, bem pensada a expressão, radicalmente conservador.

27 de julho de 2010

Dois pesos, duas medidas

Eu faço parte de um grupo bastante privilegiado, que nunca precisou entrar numa fila, de madrugada, para conseguir uma senha, ser atendido ou qualquer coisa do gênero. No entanto, eu consigo entender que aqueles que o fazem, o fazem por necessidade.

Menos  compreensível é a fila em frente ao consulado americano. Minha entrevista estava marcada para as 7:30, mas, como sou ansioso, acabei chegando lá uma hora antes. E qual foi minha surpresa? A fila, imensa, já se estendia para fora do consulado.

Mas, sinceramente, isso foi o de menos. (Mesmo muito grande, ela andava com uma certa celeridade.) O pior era como os funcionários brasileiros do consulado nos tratavam. Não foram poucas as vezes que eu imaginei como será minha chegada aos EUA, como serei tratado pelos policiais americanos no aeroporto, coisas desse tipo. O que nunca sonhei era que teria uma prévia disso aqui mesmo.

Logo à minha frente na fila, ainda do lado de fora, estava uma família. Pelo que entendi, era a filha mais velha, uma menina de seus 14 anos, que iria tirar o visto. Ao chegar à porta do consulado, o pai foi barrado: somente um dos responsáveis poderia entrar para acompanhar a filha. O pai tentou argumentar, entraria apenas para ajudar a mulher com a filha mais nova: um bebê ainda de colo. A resposta da funcionária do consulado foi de uma grosseria sem tamanho: a mais velha era grande o suficiente para ajudar a mãe.

Lá dentro a situação não mudou. Depois da segunda fila, a da pré-entrevista, e antes da terceira, a das impressões digitais, as pessoas foram se sentando nos vários bancos que haviam por lá. Acontece que toda área à direita estava reservada para a quarta fila, a da entrevista propriamente dita. Pois bem, a funcionária responsável pela organização das filas, que não eram nada organizadas, não ficava atrás no quesito grosseria: “desocupem os bancos”, “saiam do meio do corredor”, “acompanhem a ordem da fila”… E os imperativos se multiplicavam.

O mais interessante disso tudo era a atitude de pessoas que, por nenhum outro motivo, se submeteriam a entrar numa fila de madrugada. Senhores envergando seus ternos; senhoras bem vestidas; adolescentes com suas calças de marca, todos, sem exceção, obedeciam às grosserias sem o menor sinal de revolta. Pessoas que, noutra situação qualquer, estariam bradando seus “você sabe com quem está falando?”, ou reclamando da incompetência do governo, incapaz de qualquer espécie de organização, essas pessoas se submetiam, sorridentes, a toda uma situação vexatória em busca de um visto para entrar nos EUA. E pra que? Segundo a senhora à minha frente, Miami é o lugar pra se comprar barato…