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10 de dezembro de 2010

É triste, mas devo uma a Ann Coulter

Há exatamente uma semana, me deparei – não sei como – com o blogue da Cleycianne. Nele dei de cara com um post intitulado “Como descobrir se seu namorado é homossexual passivo!”, no qual a blogueira comenta “as coisas que acontecem na internet com uma visão cristã”. Um dos conselhos que dá para as “mulheres angustiadas” em saber sobre as preferências sexuais dos namorados é o seguinte:

- Sabe[r] todas as coreografias da Lady Gaga, Britney Spears e Sapatonna.

1 de julho de 2010

Ainda a união civil ou: pra que tanta danação?

Recentemente, como era esperado, todos os principais candidatos a presidente se declararam a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo. A diferença de Marina é que, por sua religião, ela condena o casamento entre homossexuais, enquanto os outros dois tendem a deixar para cada religião decidir sobre o tema.
 
Por conta de uma provocação em outro blog, deu vontade de explicitar melhor meu post sobre esse assunto. Tentei fazer ressalvas à ideia de que, admitindo a diferença com os movimentos pela liberdade sexual, Marina entrava num patamar superior de moralidade em relação aos demais candidatos, que prefeririam esconder-se sob disfarces. Mas a discussão do posicionamento em si também pode ser interessante.

É claro que o Estado não deve se imiscuir em crenças religiosas, a não ser que atentem contra direitos humanos. Como só entra na religião quem quer, as igrejas têm direito de dizer que uniões considera válido sacramentar. Né não? 

 
Mas a questão não é, obviamente, essa. Se um candidato, por conta de crenças religiosas, considera mais digno de sacramento certo tipo de união, aquela entre homens e mulheres, ele está, sim, lançando uma condenação moral aos casais que fogem à regra. O casamento e, por tabela, o sexo, entre homem e mulher, para constituir família, são aceitos, sob a bênção do sacerdote. Não importa se você é um cafajeste, corrupto, mentiroso, a heterossexualidade te dá o direito de ter sua união reconhecida. Você é acolhido na comunidade. As portas do céu estão lá, abertas. Agora, seja você, não digo um santo, mas um sujeito normal, ou sei lá, uma pessoa mais ou menos boa, e homossexual, então dane-se (literalmente). A comunidade não te aceitará dessa forma. Se disfarce. Minta para pertencer. Mude. Seu encontro com o capeta está, do contrário, praticamente garantido.
 
Pra mim Marina tomou uma posição do tipo “a César o que é de César” porque, em seu caso, a união civil entre pessoas do mesmo sexo é aceita como coisa do mundo terreno, com suas regras e características próprias, do carnal, da corrupção, da perdição, do desespero. É justo reconhecer esse direito como é justo pagar o imposto de renda, ainda que a ordem das coisas no mundo esteja infinitamente distante daquela do reino dos céus. Já o casamento é da ordem do divino, da lei superior, do espírito, do caminho da vida, da salvação, da esperança…
 
Como se sentem pessoas que apenas querem ficar com quem gostam, ou mesmo se comportar sexualmente da forma que desejarem, diante dessas legiões de sacerdotes tachando de pecaminoso um modo de vida que lhes parece mais natural, ou desejável, e que não prejudica a ninguém? Não é só algo incômodo, como orquestras de vuvuzelas, é uma tortura lenta, cruel. Eu que não vou considerar isso aceitável, já tenho muitas culpas.
 
Marina é legal, anos luz à frente do nível médio da nossa política. Mas pra mim as crenças de um candidato, inclusive as religiosas, se forem de algum jeito discriminatórias, devem sim ser levadas em conta nas nossas escolhas.

2 de junho de 2010

Marina Silva a favor da “união civil de bens”

Marina Silva, em seu Twitter:

“Que fique claro: defendo a união civil de bens entre homossexuais”.

E explica na entrevista ao Terra TV reproduzida em seu site:

“É um direito (a união civil de bens) que as pessoas têm. Se as pessoas têm um patrimônio junto, por que não podem usufruir desse patrimônio? Se têm uma união estável, por que não podem ser beneficiários do mesmo plano de saúde?”, indagou Marina para na sequência declarar seu apoio à reivindicação do movimento LGBT.

(…)Marina esclareceu que faz distinção entre união civil e casamento. ‘Entendo casamento como um sacramento’, afirmou. Para ela, um relacionamento homossexual não pode ser enquadrado nessa categoria. A presidenciável afirmou que esse posicionamento se deve a sua profissão de fé. Marina é cristã evangélica.

‘Prefiro que o movimento gay olhe para mim e diga que a Marina nesse aspecto (conceito de casamento) não pensa igual a mim’, declarou para justificar a transparência que considera essencial na abordagem do tema.

Ressaltou que um Estado laico deve assegurar os direitos de todos e para todos. Criticou aqueles que, em período eleitoral, mudam de opinião sobre questões como crença religiosa e aborto de acordo com as pressões de parcelas do eleitorado.”

Nem precisa dizer nada sobre essa distinção entre união de bens e “sacramento”. Dê a César o que é de César, menos o direito de César amar a César, transar com César, casar com César. Será que Caetano ainda vota nela?

Mas o objetivo deste post não é espinafrar a candidatura da evangélica Marina Silva. Seria até injusto reduzi-la a isso. Aliás, ainda bem que Marina não foi ejetada como Ciro Gomes.

Queria só dizer que é admirável a sinceridade quanto a esse posicionamento, embora o fosse mais ainda se não houvesse dois aspectos: 1) com pouca chance de ganhar, fica mais fácil falar a verdade; e 2) não apoiar relacionamentos homossexuais é de longe menos impopular, a não ser infelizmente entre poucos, do que dizer-se a favor do aborto ou admitir-se ateu.

Enquanto isso, Obama, que tanto tem decepcionado na política externa, faz diferença em seu Twitter:

“As we recognize the immeasurable contributions of LGBT Americans during Pride Month, we renew our commitment to equal rights for all.”