Mostrando postagens com marcador rodas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rodas. Mostrar todas as postagens

23 de junho de 2010

Resposta a Rodas

O blogue de Paulo Henrique Amorim reproduz artigo dos professores Francisco de Oliveira, Paulo Arantes, Luiz Martins e J. Souto Maior em resposta à defesa do investimento privado nas universidades públicas brasileiras feita pelo atual reitor, Rodas, citada num post nosso. Dizem eles:

“A saída que expõe é uma contradição em termos: o ingresso de dinheiro privado para a melhoria da universidade pública. Para proteger a universidade pública, que é melhor que a privada, diz que a universidade pública deve abrir suas portas para o dinheiro privado.
No fundo, o que a sua solução esconde é a tentativa de privatizar o ensino público. Ora, não se tendo conseguido fazer com que as entidades privadas prevalecessem no cenário educacional, busca-se fazer com que o ensino público forneça o material humano necessário para os fins da iniciativa privada.
A dificuldade econômica pela qual passa a universidade pública é fruto de uma negligência proposital do Estado com o ensino público, que se pretende compensar com o investimento privado.”

A íntegra, aqui.

11 de junho de 2010

Universidade e mercado: boa poesia, prosa ruim

Do ESQUERDA.NET: “A Universidade de Middlesex, em Inglaterra, decidiu fechar o curso de Filosofia e encontrou forte oposição de alunos, pessoal e outros cidadãos. Tariq Ali juntou-se ao protesto a 15 de Maio, com esta intervenção junto ao edifício ocupado.”

Poema de Brecht, citado por Tariq Ali como inspiração:

“Há os irreflectidos que nunca duvidam.
A sua digestão é esplêndida, o seu juízo infalível.
Não acreditam nos factos, acreditam só em si mesmos.
A paciência consigo mesmos é ilimitada. Os argumentos,
ouvem-nos com os ouvidos dum espia policial.
Os irreflectidos, que nunca duvidam,
encontram-se com os reflectidos que nunca actuam.
Duvidam não para chegar a uma decisão, mas
para eludir uma decisão. Com rostos ansiosos
advertem tripulações de navios afundando-se que a água é perigosa.
Debaixo do machado do assassino,
perguntam-se se ele não é humano também.
Resmungando qualquer coisa
sobre a situação não estar ainda clara, vão para a cama.
Portanto, se elogiais a dúvida,
não elogieis a dúvida que é uma forma de desespero.
De que serve a capacidade de duvidar
a um homem que não consegue decidir-se?
O que se contente com bem poucas razões
poderá actuar erradamente
mas o que precise de demasiadas
permanecerá passivo em tempos de perigo.”

Enquanto isso, Rodas, reitor da USP, defende hoje na Folha o investimento privado nas universidades públicas brasileiras. Comentário secundário (ou nem tanto): pra um dito bambambam, o cara escreve mal, viu? Ele podia ao menos ter delegado a tarefa a um assessor de prosa melhorzinha. Isso já dificulta o início de qualquer debate, tirando a ideia vir de quem vem.